Condomínios fechados, mentes abertas à passagem do tempo

O blog e o face Vida pós 50 não são guetos restritos à faixa etária do nome.  Os mais jovens podem ter pais ou avós em processo de envelhecimento; se não isso, com certeza tem outros parentes e amigos acima dos 90.  Como tratar o ser humano que precisa de algum apoio nesta fase da velhice?  Saiba que é dever de todo cidadão contribuir ao bem estar de quem passou dos 60, diz o Estatuto do Idoso. Concordo que seja obrigação, mas também pode ser um prazer.

Só que lidar com pessoas requer alguma adequação ao estado delas, inclusive se estiver tão bom que sua oferta de ajuda pode ofender. Vai saber. No Rock in Rio 2019, dinossauros do rock provaram que não podem ser tratados de “vovôs”. Ou você não viu o vocalista do Scorpions, Klaus Meine (foto principal), dar prova de jovialidade aos 71 anos? (Eu vi, ao vivo e a cores, uma semana antes, em Florianópolis!) Vamos combinar: ter 80 anos é diferente de ser centenário, pois em algum momento de um longevo ele vai perder habilidades importantes e declinar lentamente. Se puder, incentive-o a se adaptar às limitações e seguir resiliente até quando der.

Teremos de zelar pelos idosos por mais tempo, com a crescente longevidade… Ouvi uma vez que passaremos mais tempo cuidando dos pais do que dos próprios filhos e espero ter o privilégio de retribuir cuidados dos que me garantiram a vida. Só de três anos para cá venho podendo assistir mais de perto meus pais nos fins de semana – e são os dias mais significativos da minha vida.

Acompanhar o envelhecimento deles me fez pensar em como ficarei velha, em quem me cuidará, onde vou morar. Espero ter alternativa aos fatídicos Lares de Repouso! Eu me rebelaria se alguma enfermeira me chamasse de vó, mandasse eu “levantar a perninha” – qualquer diminutivo me soa como se velho fosse bebê associado a outras formas de infantilização da idosa, tipo lhe dar uma boneca, colocar nela ridículas orelhas de coelhinho durante comemoração de Páscoa.

Essas situações vejo acontecer nos Residenciais Geriátricos, mas não falo nada porque sou uma simples voluntária. Pessoalmente, conto com manter as faculdades mentais preservadas e embarcar num cruzeiro sem fim, ou pelo menos até idade avançada. Daí sim, por que não, curtiria a velhice num condomínio sênior, de preferência no exterior, onde se fizesse de tudo, menos jogar bingo.

Sem brincadeira: penso num prédio com alguns diferenciais que podem atrair compradores 50+: cinema, piscina para natação e hidro, espaços multifuncionais para atividades sociais e esportivas. Gestão terceirizada e portaria diferenciada pelo treinamento a ser dado a todos os porteiros para estar atentos aos sinais dos condôminos: se uma senhora que compra pão todos os dias não aparecer, que tal ligar pelo interfone? São os zeladores, síndicos e porteiros que detectam problemas às vezes ignorados pelos filhos dos moradores. Nem falei em ter no condomínio uma pequena enfermaria, mas por que não? O seguro morreu de velho e eu sentiria mais segura se houvesse pronto-socorro à mão.

E se der para viver bem em um lugar onde sempre vai ter alguém com mais velho que eu,  quer coisa melhor?  Curtiria estar com o grupo desde que tivesse o meu espaço e a decisão de socializar fosse minha.  Imagina quantas manias se acumularão quando eu chegar lá.  Falta um tempão kkk!

Heloisa Dallanhol

Deixe seu comentario