Experiência conta: é só dar oportunidade a coroas

Infelizmente, vejo gente experiente ser esnobada pelo mercado de trabalho e me solidarizo com cada caso. Por isso foi uma boa surpresa o que se passou logo após eu deixar um emprego: ter sido convidada para outro, após os 50. Sei que raramente ocorre essa conjunção de fatores favoráveis, então vou contar porque foi correta, para mim, a decisão de pedir demissão.

Eu amava o local onde trabalhava. Doze anos no mesmo trabalho me deram várias conquistas, muito além dos contatos profissionais.  Sim, porque além do comprometimento que tinha com um órgão público, eu tinha nele colegas e amigos dos quais não queria me afastar… As deliciosas conversas na cozinha da “repartição”, no banheiro, no corredor, eram boas demais para acabar… Eu adiava a ideia de pedir as contas, mas não a abandonava. Ter completado meio século de idade me convenceu de que precisava de desafios.

Morrendo de medo de sair da zona de conforto, simplesmente saí. Sem drama com os colegas, sem sequer uma despedida festiva – só chorosa -, lá fui eu embora, para usar o tempo livre procurando emprego. Só que não. Não foi preciso procurar emprego: o universo conspirou a meu favor e fazer parte da estatística de desempregados foi um limbo que durou pouco. Um ex-chefe precisou dos meus serviços novamente, na instituição em que me formara e trabalhara anteriormente, cheia de professores conhecidos e de alunos entusiasmados…

Obviamente nem tudo funcionava; até para ser contratada foi um suplício. Entretanto tudo foi se ajeitando, a demanda de trabalho crescendo, e eu, vencendo até o receio de não dar conta das tarefas tecnológicas (nem eu tinha um estagiário ou filho adolescente para terceirizar).  Coube a mim reinventar minha performance profissional e fazer um nova teia de contatos jornalísticos com toda a diversidade oferecida pelo ambiente universitário.

Tive sorte de principiante, já que estava estreando na função. As primeiras ações deram certo e os resultados concretos começam a se acumular. E para fechar: até o salário melhorou!

De certa forma, escrevi esse capítulo da minha história ao invés de me deixar levar pelo comodismo de seguir fazendo o mesmo trabalho. Esse meu novo estou fazendo especialmente bem-feito!

Heloisa Dallanhol

 

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